I see your true colors

Escrever é algo que sempre gostei de fazer, porém nunca tive confiança o bastante para continuar o que começava e ir realmente a fundo.

No dia em que decidi me inspirar nas coisas que movem, me veio a ideia de começar o blog. E para chegar a raiz dessa inspiração preciso explicar algumas coisas sobre uma pessoa: minha mãe.

Minha mãe nunca teve uma relação positiva com o próprio corpo e aparência. Passou a vida a base de remédios para emagrecer e sempre se frustou com os resultados. Toda essa insegurança se voltou para mim como um reflexo no espelho: “Não come besteira”, “Você está gorda”, “Não sei aonde você vai parar desse jeito”, “Fecha a boca, Stephanie”. As minhas próprias neuras foram criadas a partir desse discurso que não era direcionado exatamente para mim, e sim para ela.

Saí de casa em 2017, mas me levou quase dois anos para entender toda essa relação negativa que ela e eu temos com nossos corpos.

No ano passado minha mãe estava naquele dilema de querer uma roupa nova para as festas de fim de ano e nunca encontrar algo do seu tamanho bonito o suficiente ou algo bonito que servisse. No fim sempre voltávamos para trocar as peças.

Como uma luz no fim do túnel, demos de cara com a Ashua no Shopping Anália Franco. “Olha mãe, uma loja plus size, vamos dar uma olhada”, “Essa loja é para obesas, eu sou gorda, mas não sou obesa” (aquela fala bem preconceituosa, mas ela está aprendendo) “Vamos entrar, as roupas estão lindas”.

Começou com um olhar meio torto a olhar as roupas em cada arara, uma cara feia daqui, um bico de lá; até que finalmente achou uma peça que queria experimentar, e no fim pegou shorts, calças jeans, vestidos, camisões, blusinhas. Quando decidiu experimentar as peças que escolheu ela reparou que os quatro provadores da loja estavam ocupados.

Do lado do caixa conversando com a vendedora, o marido de uma moça que estava em um dos provadores comentava sobre como as roupas caiam bem em sua mulher e como ela tinha mais vontade de se arrumar para sair com as roupas da loja. Assim que a mulher dele saiu do provador para mostrar o outfit que escolheu, minha mãe reparou na blusa brilhante decotada, na calça com um ótimo caimento e principalmente na sandália plataforma.

Minha mãe entrou em uma cabine e quanto mais vestia as roupas mais coragem tinha para provar outras. Uns 40 minutos lá dentro, montando diversos looks, pensando em sapatos e acessórios que podiam acompanhar. Muitos nãos, alguns sims.

Eu queria poder dizer que foi nesse momento que ela passou a ver seu corpo de forma mais positiva, que ela finalmente aceitou o seu biotipo e deixou de lado padrões irreais e inalcançáveis, mas não dessa vez.

Mas foi ali, naquele momento, dentro daquela loja que ela percebeu que não precisa se esconder para se sentir bonita, que outras mulheres também encontram ali um lugar mais receptivo para todas as formas, todos os corpos e todos os tamanhos.

Eu me apaixonei pela Ashua, não apenas pelas roupas maravilhosas das coleções, mas também pelo ambiente. É evidente o brilho nas clientes; ele começa do tamanho de uma faísca e depois se acende como uma labareda.

Minha mãe saiu de lá com o guarda-roupa renovado e a alma quase que reconstruída, e eu saí de lá inspirada na minha luta pessoal pela aceitação do meu corpo e na luta em ajudar minha mãe e outras mulheres a entenderem que todas temos nosso próprio padrão de beleza.

Naquele dia resolvi que iria começar esse blog. Escrever sobre tudo aquilo que tenho paixão, por mais difícil que fosse, e me obrigar a sair da zona de insegurança na qual vivo a tanto tempo.

Outro projeto do qual não desisti é ensinar minha mãe sobre amor próprio, sobre respeito e a pensar no efeito que as palavras possuem. Ela está aprendendo; aos passos de tartaruga, mas ir devagar é sair do lugar.

Não desista de aprender a se amar e a se aceitar. Não desista de ser olhos gentis e palavras ainda mais gentis direcionados a outras mulheres que querem aprender a se amar e a se aceitar. Não cedam a pressão das mídias, das celebridades, da sociedade em geral. Sejam vocês, cuidem de vocês, do interno muito mais do que do externo.

Quando você passa a enxergar a beleza que existe em você, você inspira outras mulheres a enxergarem nelas mesmas.

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