Are You There ?

Estou ausente de mim. Faz quase dois meses que não escrevo algo aqui.

Estou ausente de mim. Entrei no piloto automático e todos os dias sigo apenas com as minhas obrigações e não com o que me faz feliz.

Estou ausente de mim. As pessoas ainda me veem sorrir, me ouvem dizer que está tudo bem, me observam sem notar o ser sem vida a sua frente.

Estou tão profundamente ausente de mim que já não escuto aquela voz, quase que um sussurro, pedindo para tentar, para mudar, para fazer. Entregar meu corpo ao vazio é bem mais fácil.

Estou ausente de mim. Fico me perguntando quando isso irá passar.

Você me vê, me escuta, me toca, mas eu estou ausente de mim. Perdida em alguma dimensão que foi aberta aqui dentro, por mim mesma.

Não há uma solução rápida, alegre e indolor nessa situação toda. Eu nem sei por onde começar a procurar.

Talvez eu continue ausente de mim.

Até o dia em que me encontrar, ou encontrar aquilo que restar de mim.

ps. lembre-se, a cura nunca é/foi linear.

I see your true colors

Escrever é algo que sempre gostei de fazer, porém nunca tive confiança o bastante para continuar o que começava e ir realmente a fundo.

No dia em que decidi me inspirar nas coisas que movem, me veio a ideia de começar o blog. E para chegar a raiz dessa inspiração preciso explicar algumas coisas sobre uma pessoa: minha mãe.

Minha mãe nunca teve uma relação positiva com o próprio corpo e aparência. Passou a vida a base de remédios para emagrecer e sempre se frustou com os resultados. Toda essa insegurança se voltou para mim como um reflexo no espelho: “Não come besteira”, “Você está gorda”, “Não sei aonde você vai parar desse jeito”, “Fecha a boca, Stephanie”. As minhas próprias neuras foram criadas a partir desse discurso que não era direcionado exatamente para mim, e sim para ela.

Saí de casa em 2017, mas me levou quase dois anos para entender toda essa relação negativa que ela e eu temos com nossos corpos.

No ano passado minha mãe estava naquele dilema de querer uma roupa nova para as festas de fim de ano e nunca encontrar algo do seu tamanho bonito o suficiente ou algo bonito que servisse. No fim sempre voltávamos para trocar as peças.

Como uma luz no fim do túnel, demos de cara com a Ashua no Shopping Anália Franco. “Olha mãe, uma loja plus size, vamos dar uma olhada”, “Essa loja é para obesas, eu sou gorda, mas não sou obesa” (aquela fala bem preconceituosa, mas ela está aprendendo) “Vamos entrar, as roupas estão lindas”.

Começou com um olhar meio torto a olhar as roupas em cada arara, uma cara feia daqui, um bico de lá; até que finalmente achou uma peça que queria experimentar, e no fim pegou shorts, calças jeans, vestidos, camisões, blusinhas. Quando decidiu experimentar as peças que escolheu ela reparou que os quatro provadores da loja estavam ocupados.

Do lado do caixa conversando com a vendedora, o marido de uma moça que estava em um dos provadores comentava sobre como as roupas caiam bem em sua mulher e como ela tinha mais vontade de se arrumar para sair com as roupas da loja. Assim que a mulher dele saiu do provador para mostrar o outfit que escolheu, minha mãe reparou na blusa brilhante decotada, na calça com um ótimo caimento e principalmente na sandália plataforma.

Minha mãe entrou em uma cabine e quanto mais vestia as roupas mais coragem tinha para provar outras. Uns 40 minutos lá dentro, montando diversos looks, pensando em sapatos e acessórios que podiam acompanhar. Muitos nãos, alguns sims.

Eu queria poder dizer que foi nesse momento que ela passou a ver seu corpo de forma mais positiva, que ela finalmente aceitou o seu biotipo e deixou de lado padrões irreais e inalcançáveis, mas não dessa vez.

Mas foi ali, naquele momento, dentro daquela loja que ela percebeu que não precisa se esconder para se sentir bonita, que outras mulheres também encontram ali um lugar mais receptivo para todas as formas, todos os corpos e todos os tamanhos.

Eu me apaixonei pela Ashua, não apenas pelas roupas maravilhosas das coleções, mas também pelo ambiente. É evidente o brilho nas clientes; ele começa do tamanho de uma faísca e depois se acende como uma labareda.

Minha mãe saiu de lá com o guarda-roupa renovado e a alma quase que reconstruída, e eu saí de lá inspirada na minha luta pessoal pela aceitação do meu corpo e na luta em ajudar minha mãe e outras mulheres a entenderem que todas temos nosso próprio padrão de beleza.

Naquele dia resolvi que iria começar esse blog. Escrever sobre tudo aquilo que tenho paixão, por mais difícil que fosse, e me obrigar a sair da zona de insegurança na qual vivo a tanto tempo.

Outro projeto do qual não desisti é ensinar minha mãe sobre amor próprio, sobre respeito e a pensar no efeito que as palavras possuem. Ela está aprendendo; aos passos de tartaruga, mas ir devagar é sair do lugar.

Não desista de aprender a se amar e a se aceitar. Não desista de ser olhos gentis e palavras ainda mais gentis direcionados a outras mulheres que querem aprender a se amar e a se aceitar. Não cedam a pressão das mídias, das celebridades, da sociedade em geral. Sejam vocês, cuidem de vocês, do interno muito mais do que do externo.

Quando você passa a enxergar a beleza que existe em você, você inspira outras mulheres a enxergarem nelas mesmas.

One life for the two of us

Louis Tomlinson, o próprio Sol da One Direction, lançou hoje Two Of Us, o primeiro single do seu primeiro álbum solo, deixando todos nós com lágrimas nos olhos e o coração apertado.

Two Of Us é uma linda declaração para Jay, sua mãe que faleceu em 2016 devido a uma leucemia.

Quem acompanha a carreira do Louis desde o início sabe da linda relação que ele tinha com a mãe. Ele a considerava sua melhor amiga e não tinha vergonha em assumir que era o menino da mamãe entre os cinco integrantes da banda.

O single contém trechos de partir o coração, como “o dia em que te levaram queria que tivesse sido eu em seu lugar”, “eu sei que você estará esperando, eu te verei novamente”, “eu sei que você estará olhando por mim, prometo te deixar orgulhosa” e termina dizendo “nós vamos terminar como começamos, apenas eu, você e mais ninguém”.

Não percam a oportunidade de escutar Two Of Us e encontrar uma mensagem linda de superação e força para todos em cada palavra.

Disponível no Spotify, Apple Music, Amazon e Deezer.

Treat yourself with kindness

“Melhor não.”

Essa foi a resposta de uma amiga para o namorado depois que ele disse que queria ver no corpo dela os biquínis que ela passou horas escolhendo para usar no feriado.

“Eles não tão nem aí.”; “Como a gente é besta, né.”

Foi o que ela me disse explicando essa história toda.

É verdade quando dizem que homens não dão a mínima para sua celulite, para as suas estrias ou para o buchinho que você cria toda vez que se senta (se existe algum homem ligando e cobrando você sobre isso, o motivo não está em vocês, prometo que explico em um post mais pra frente sobre esses casos). E também é verdade que nessas horas apenas nós ligamos mesmo para isso.

Quando nos sentimos culpadas de estar comendo aquele chocolate que estávamos com vontade, ou nos desesperamos quando subimos na balança e damos de cara com todos aqueles números, ou cobrimos todo nosso corpo com medo de mostrar aquelas linhas brancas que não parecem ter fim; não estamos com medo da reação dos namorados, maridos, lancinhos etc. Nosso receio está no olhar da coleguinha, nos possíveis comentários, nas comparações das nossas medidas.

Antes que outra mulher tenha qualquer ação já estamos desaprovando nossos corpos, nossas roupas, nossos atos. Já vamos nos privando e nos condicionando a viver dessa forma.

Eu falo sobre “nós” pois faço parte desse grupo. Eu sempre sou a primeira a dizer a outras mulheres que elas devem se amar e se aceitar como são, a elogiar aquela mulher empoderada nas redes sociais e aplaudir a sua autossuficiência e segurança. Ao mesmo tempo, sou a primeira a me autocriticar, a me privar, a me torturar com medo e receio do que outras mulheres irão pensar sobre mim.

Preciso dizer que empoderar outras é mil vezes menos complicado do que empoderar a si mesma.

Quero propor um exercício a todas nós:
Durante um mês, todos os dias, faremos um elogio para nós mesmas em frente ao espelho. Elogie seu sorriso, seu cabelo, seus olhos, sua roupa, alguma parte do seu corpo, se faça um elogio por mínimo que seja. Ao mesmo tempo vamos nos policiar a não olhar a amiguinha com olhos críticos e a não fazer comentários que podem afetar a forma que elas se vêem.
Se você se julga diariamente, pode ter certeza que outras mulheres fazem o mesmo.

Ao fim do mês quero que me contem a experiência, o que vocês notaram de diferente em vocês mesmas, no olhar e no pensamento de vocês sobre si mesmas e sobre outras mulheres.
Vamos tentar nos condicionar a estar por nós mesmas assim como estamos por outras mulheres. A beleza de outras não anula em momento algum a nossa própria beleza.

Para espalhar gentileza no mundo, vamos começar por nós mesmas.

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